sábado, 23 de maio de 2009

Definitivamente, não entendo esta cidade e quase posso perceber o seu desamor por mim - sou só mais uma a meter-lhe os pés na cara - mas a luminosidade desta época quase me ilude, e são tantos a aproveitá-la nesta manhã - eu os vi - que, por breves horas, tive vontade de chamá-la: minha.

domingo, 17 de maio de 2009

Protegida por minha carapaça continuo "ostrando" em meu mundo... e estou muito bem, thanks!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Como às vezes caminho tonta por estas ruas! Tão bêbada pelos meus pensamentos, sequer dou conta dos que vêm em minha direção. Mentira. Essa foi minha primeira reação mas, na verdade, ando tão envolvida comigo mesma, que desejaria o sumiço de todos os outros das ruas. Meu egoísmo me assusta...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Um chinelo de mulher, creio de número 37, completamente rosa, um pé esquerdo para ser mais precisa, aconteceu na minha distração no meio dos trilhos eletrificados do metrô. O que terá acontecido com a cinderela suburbana do século XXI? Será que foi trabalhar com um só pé de chinelo? Ou voltava para casa? Será que tinha dinheiro para comprar um novo par, a fim de prosseguir seu percurso com os dois pés devidamente protegidos, ou embarcou em sua abóbora-carruagem-subterrânea pulando em um só pé? Será que em meio à vergonha de ficar sem o chinelo, à raiva ou ao susto ela pensou, por algum momento, em príncipes encantados, fadas boas, madrastas, etc? Por que pensaria? E eu, por que pensei, imediatamente? Ser cinderela é tão cansativo. Pegar-se pensando em ser princesa por um inevitável pé de chinelo esquerdo rosa! Como cheguei a isto?!

sábado, 2 de maio de 2009

Somente eu, persona de mim mesma, terei acesso ao mais ocluso no aparente de meu mundo. Farei sentido para ninguém, responderei a ninguém, falando com minha própria falta de senso e vontade pelo todo. Assim, falo por mim, respondendo baixo aos demais, ao talento alheio, às expectativas, sucessos e compreensões. Assumirei aqui o personagem de meu desespero surdo aos clichês - eterno clichê de minhas leituras - serei medíocre, serei original, serei, porque ainda não me furto a isto. Deitarei minha persona neste berço, onde o esplêndido me veio e já me foi, ouvirei minhas sandices demoníacas, porque simplesmente não acredito, e seguirei sendo pura normalidade. Trabalharei quando o gosto me vier ou quando me for inevitável a brutalidade da oclusão. Me esconderei do mundo nesta absurda exposição...